A história de dependência de Dayse

The Addiction history of Dayse

Abaixo reproduzo um outro depoimento de uma consultora de moda chamada Dayse que após anos tomando Clonazepam conseguiu finalmente se livrar da substância e hoje encontra-se em processo de readaptação sem a mesma. Ela iniciou a droga após crises de pânico que ocorreram quando ela estava numa fase de muito estresse e pressão no trabalho.
Comecei a tomar Clonazepam no início de 2006, depois de uma crise de pânico, também diagnosticada como ansiedade generalizada e estresse crônico. Eu estava muito assustada com as coisas que estava sentindo, e num primeiro momento foi ele que me deu um alívio para que eu me mantivesse calma.

Depois de uns quatro anos tomando Clonazepam, comecei a perceber que ele me deixava muito passiva, distante do mundo e de mim mesma. Parecia que eu estava protegida dentro de uma bolha de vidro, dessa forma, nada poderia me atingir. Eu observava a vida passar, e não fazia parte efetivamente da minha própria vida. O Clonazepam me anestesiava da vida.

Quando o remédio acabava, eu entrava em pânico. Começava a me sentir angustiada, não conseguia me concentrar em nada a não ser em ir ao médico urgentemente para pegar uma nova receita.

Durante dois anos tentei diversas vezes parar de tomar o remédio. O fato é que você fica tão passivo que sair dessa zona de conforto se torna muito mais difícil. Quando eu tentava parar de tomar o remédio, eu me sentia muito insegura, me deparava com as situações naturais da vida e me acovardava diante delas.

Começava a interagir um pouco mais com o mundo e parecia que eu não iria aguentar aquilo tudo. É como se o Clonazepam me desse uma falsa sensação de proteção. Eu me tornei uma pessoa covarde. Cheguei a tomar oito gotas pela manhã e doze gotas à noite.

À medida que eu ia me sentindo melhor, conversava com o meu médico e ia reduzindo a dosagem. Quando eu estava tomando somente três gotas à noite eu decidi que iria parar definitivamente. Fiquei quinze dias sem tomar o remédio e voltei. Tomei por cerca de um mês e tentei parar de novo. Dessa vez fiquei uns quatro meses sem tomar. Voltei a tomar por uma semana e parei. Eu percebi que o Clonazepam não resolvia o problema, mascarou durante um tem- po, mas não iria resolver.

O tempo passava e nada mudava, eu só tinha altos e baixos, e iria ficar nisso eternamente, pois eu não estava me tratando e sim me anestesiando, esperando que um milagre acontecesse e eu melhorasse. Eu precisava ficar bem, me sentir viva, feliz, e isso ele não fazia, então parei definitivamente no final do ano passado. Foi uma decisão minha.
O ganho que tive em termos de vida, de autoconhecimento, de percepção de mim mesma e do mundo foi incrível. Tomei as rédeas da minha vida e me tornei dona dela, dona de tudo que tem de bom e de ruim. Descobri que é preciso se conhecer para saber os seus limites, para conseguir respeitá-los e eu jamais enxergaria isso tomando o remédio.”